Arte ganha protagonismo no ambiente Tramas e Transbordos, de Lucas Carrara, na CASACOR SP

Com obras que homenageiam a latinidade, o living de 35 m² propõe uma viagem por meio das artes, em diálogo com a arquitetura e a identidade cultural

por Viva Home
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Arte ganha protagonismo no ambiente Tramas e Transbordos, de Lucas Carrara, na CASACOR SP

Um dos destaques do ambiente é o painel “Onde a Terra Transborda”, da artista visual Samia Bilachi, composto por dezenas de pratos de porcelana pintados à mão, resultando em um vitral contemporâneo suspenso. A obra reúne representações de elementos botânicos, objetos tipicamente brasileiros, símbolos populares e cenas cotidianas | Foto: Daniela Magario

Um dos destaques do ambiente é o painel “Onde a Terra Transborda”, da artista visual Samia Bilachi, composto por dezenas de pratos de porcelana pintados à mão, resultando em um vitral contemporâneo suspenso. A obra reúne representações de elementos botânicos, objetos tipicamente brasileiros, símbolos populares e cenas cotidianas | Projeto: Lucas Carrara | Foto: Daniela Magario

 

Muito além da estética, a arte é uma forma valiosa de expressar ideias, despertar emoções e contar histórias. Com esse olhar, o arquiteto Lucas Carrara apresenta o ambiente Tramas e Transbordos, na CASACOR São Paulo 2026, marcado pela presença de obras de artistas múltiplos. Com estilos, técnicas e linguagens variadas, as peças revelam diferentes visões sobre brasilidade, latinidade e memória. Em diálogo com a arquitetura, elas ampliam a experiência dos visitantes durante o passeio pela mostra.

Simplicidade e sofisticação se encontram de forma harmoniosa. As duas estantes reúnem uma seleção de elementos decorativos e livros com referências à América Latina. Nas paredes e em diferentes pontos do espaço, quadros, objetos artísticos e detalhes cuidadosamente escolhidos completam a composição e reforçam a atmosfera afetiva.

Garimpado por Lucas, o conjunto revela camadas de pertencimento e ancestralidade. Cada peça parece contar uma história e traduzir um fragmento da riqueza cultural do continente. Entre as raridades, também aparecem vasos e cabaças indígenas antigas, que reforçam o diálogo com o fazer manual.

Na primeira foto, a popular cadeira dobrável de metal é ressignificada e ganha status de obra de arte. Logo acima, estão as obras da série “Como secar minhas feridas”, do artista contemporâneo Renato Dib, produzida com lenços, guardanapos, linhas e alfinetes. Na segunda imagem, a parede reúne cinco antigas figuras amazônicas produzidas por povos originários, além do quadro colorido Homens de Barro 44, de MAFENOGFER, que homenageia a miscigenação | Fotos: Felipe Cuine

Na primeira foto, a popular cadeira dobrável de metal é ressignificada e ganha status de obra de arte. Logo acima, estão as obras da série “Como secar minhas feridas”, do artista contemporâneo Renato Dib, produzida com lenços, guardanapos, linhas e alfinetes. Na segunda imagem, a parede reúne cinco antigas figuras amazônicas produzidas por povos originários, além do quadro colorido Homens de Barro 44, de MAFENOGFER, que homenageia a miscigenação | Projeto: Lucas Carrara | Fotos: Felipe Cuine

 

A beleza do dia a dia

No ambiente, o simples ganha destaque ao ser deslocado de seu uso habitual: elementos cotidianos passam a ocupar um novo lugar dentro da composição, revelando novos sentidos. Um dos exemplos é a tradicional cadeira dobrável de metal, peça muito presente nas ruas latino-americanas e associada a encontros informais e conversas espontâneas. No projeto, o item recebe uma interpretação contemporânea com a aplicação de resina de poliéster no assento e no encosto, em trabalho executado pela By Poli.

“A América Latina se manifesta como uma presença sensível e cotidiana. Ela não aparece como estética aplicada, mas como uma bagagem humana bastante vívida e expressa nos objetos decorativos, nos gestos e nas materialidades que carregam a memória coletiva dos nossos povos”, afirma Lucas Carrara.

Brasilidade e Latinidade

A arte, o design e o artesanato brasileiros foram fundamentais para a construção conceitual do projeto. Ao incorporar essas criações, Tramas e Transbordos reforça uma ideia de pertencimento, evidenciando peças que carregam técnicas, histórias e vínculos profundos com suas origens.

Referências latino americanas: Nas estantes estão peças com forte presença de materiais têxteis, como a composição em cerâmica com serigrafia do mapa da América Latina e envolta por crochê, da Constelar; e a obra de Nicole Nigro, com tramas coloridas e a frase “Latino demais para ser minimalista”. Outros trabalhos repletos de personalidade são a escultura Paraíso Latino, do Pakatatu Studio, que mostra a brasilidade através de uma bananeira e cadeiras de plástico e a arte em dobradura que representa o cantor porto-riquenho Bad Bunny, de Leila Nishi | Fotos: Felipe Cuine

Referências latino americanas: Nas estantes estão peças com forte presença de materiais têxteis, como a composição em cerâmica com serigrafia do mapa da América Latina e envolta por crochê, da Constelar; e a obra de Nicole Nigro, com tramas coloridas e a frase “Latino demais para ser minimalista”. Outros trabalhos repletos de personalidade são a escultura Paraíso Latino, do Pakatatu Studio, que mostra a brasilidade através de uma bananeira e cadeiras de plástico e a arte em dobradura que representa o cantor porto-riquenho Bad Bunny, de Leila Nishi | Projeto: Lucas Carrara | Fotos: Felipe Cuine

 

Arte nas mãos

Parte dos itens presentes no ambiente foram selecionados em parceria com a ARTIMAGE, galeria que representa diversos artistas participantes e contribuiu para uma curadoria alinhada aos conceitos de memória coletiva. “Estamos vivendo um momento em que o Brasil reconhece cada vez mais sua identidade latino-americana e passa a valorizar com mais intensidade suas origens, seus territórios e seus saberes”, afirma Lucas.

Nos trabalhos predominam materiais naturais e técnicas manuais, como madeira, cerâmica, fibras, tecidos, crochê, cordas, conchas, barro, e elementos orgânicos incorporados às composições. Segundo o arquiteto, o que mais chama atenção nessas criações é a autenticidade que carregam, revelada nas marcas do processo manual, no tempo dedicado e na relação direta entre o artesão e a matéria-prima. “São objetos que ultrapassam a função estética e estabelecem conexões afetivas, culturais e humanas com quem os observa”, conclui.

Entre as pinturas, um dos destaques da Galeria Contempo é La Pared de Papel II, acrílico sobre tela da artista paraguaia Lilian Camelli. Logo ao lado, aparecem também as obras Seashore e Boldo, do gaúcho Uéslei Fagundes, produzidas com materiais como óleo e cera de abelha sobre madeira de caixote.

Na primeira foto, quadros La pared de Papel II, de Lilian Camelli; e Seashore e Boldo, de Uéslei Fagundes. Na outra imagem, Lucas Carrara ao lado da mesa lateral e banco em cerâmica de alta temperatura, da série Festas Brasileiras, de Juliana Nagle, que surge como peça decorativa e funcional. Logo acima está a arte-objeto Varal Serpente 3, de Renato Dib, feito com gravatas de seda, cordas recicladas, botões antigos e cano de latão | Fotos: Felipe Cuine

Na primeira foto, quadros La pared de Papel II, de Lilian Camelli; e Seashore e Boldo, de Uéslei Fagundes. Na outra imagem, Lucas Carrara ao lado da mesa lateral e banco em cerâmica de alta temperatura, da série Festas Brasileiras, de Juliana Nagle, que surge como peça decorativa e funcional. Logo acima está a arte-objeto Varal Serpente 3, de Renato Dib, feito com gravatas de seda, cordas recicladas, botões antigos e cano de latão | Projeto: Lucas Carrara | Fotos: Felipe Cuine

 

Moda e arte juntas

Um tecido também pode assumir o lugar de obra de arte? Para Lucas Carrara, sim. Na área dos lavabos, a proposta têxtil ganha uma leitura especial com um veludo em tom de rosa queimado, da Casa Versátil, que recobre parte das superfícies e surpreende os visitantes com estampas inspiradas na riqueza da flora latino-americana. Criada por Maria Clara Marc Ferrez, a estamparia exclusiva reforça o encontro entre moda, arte e arquitetura. Presentes também em composições e obras de arte ao longo do ambiente – como nos exemplos das obras de Renato Dib – os tecidos intensificam a atmosfera envolvente do espaço.

Lustre de selenita, pedra muito encontrada no Brasil e México e tecido rosa queimado com ilustrações de Maria Clara Marc Ferrez, que representam a cultura latina. Na imagem ao lado, mais pratos pintados por Samia Bilachi, em tons de vermelho e motivos botânicos | Fotos: Felipe Cuine

Lustre de selenita, pedra muito encontrada no Brasil e México e tecido rosa queimado com ilustrações de Maria Clara Marc Ferrez, que representam a cultura latina. Na imagem ao lado, mais pratos pintados por Samia Bilachi, em tons de vermelho e motivos botânicos | Projeto: Lucas Carrara | Fotos: Felipe Cuine

 

Ainda no lavabo, simplicidade e sofisticação se encontram em uma composição marcante. Entre os destaques estão trabalhos assinados por Ângela Maria Atelier, dispostos nas paredes, além da beleza genuína dos cestos de palha e das esculturas em madeira da Biasá.

Decorações penduradas de Ângela Maria Atelier e espelho de Luca Milani | Foto: Daniela Magario

Decorações penduradas de Ângela Maria Atelier e espelho de Luca Milani | Projeto: Lucas Carrara | Foto: Daniela Magario

 

Cestos de palha e esculturas em madeira da Biasá | Fotos: Felipe Cuine

Cestos de palha e esculturas em madeira da Biasá | Projeto: Lucas Carrara | Fotos: Felipe Cuine

 

Serviço: CASACOR SP 2026

Local: Parque da Água Branca – Rua Dona Ana Pimentel, 37 – Água Branca, SP

Quando: De 2 de junho a 9 de agosto de 2026

Horários: das 11h às 22h, com entrada no parque até 20h e bilheteria até 20h15

Mais informações: [email protected]

Para comprar ingressos: https://appcasacor.com.br/events/sao-paulo-2026/tickets

Sobre Lucas Carrara

Lucas Carrara é arquiteto e fundador do escritório Lucas Carrara – Arquitetura & Design, criado em 2022, em São José do Rio Preto. Seu trabalho se destaca pelo desenvolvimento de projetos de arquitetura e interiores autorais, com uma abordagem que integra arquitetura, psicologia e neurociência na criação de espaços que promovem bem-estar e conexão emocional. Em 2024, foi premiado como revelação do ano na mostra ArqDesign, em São José do Rio Preto, com o ambiente “Casa Sayab”. Desde então, vem desenvolvendo projetos residenciais diversos e colaborações com artistas e profissionais criativos.

Sua linguagem se traduz em uma arquitetura sensível e fora do padrão, marcada por formas orgânicas, materialidade natural e um olhar atento às experiências e memórias dos usuários. Seus projetos refletem uma estética sofisticada e atemporal, alinhada ao conceito de “quiet luxury”, onde o luxo se revela de forma sutil e conectada ao sentir.

Instagram: @lucas_carrara

 

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