O encontro entre gerações na arquitetura: a estreia do Corbellini Lopes na CASACOR Rio

por Viva Home
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O encontro entre gerações na arquitetura: a estreia do Corbellini Lopes na CASACOR Rio

Convidado por Jairo de Sender para sua primeira participação na mostra, o escritório apresenta um loft que une rigor técnico, sensibilidade e uma arquitetura pensada para diferentes formas de viver

Arquitetas Priscilla Corbellini e Ana Clara Lopes, do escritório Corbellini Lopes
Foto: Divulgação — Arquitetas Priscilla Corbellini e Ana Clara Lopes, do escritório Corbellini Lopes

Há uma frase que sintetiza a essência do escritório Corbellini Lopes Arquitetura: “Nossa linguagem é a dos nossos clientes.” Em um momento em que a arquitetura frequentemente privilegia imagens de impacto e estéticas facilmente reconhecíveis, o escritório fundado em 2021 escolheu seguir um caminho diferente: compreender profundamente quem habita os espaços antes de desenhá-los.

Essa filosofia ganha sua maior vitrine até agora. Em 2026, Priscilla Corbellini e Ana Clara Lopes fazem sua estreia na CASACOR Rio de Janeiro ao lado de um dos nomes mais respeitados da arquitetura brasileira, Jairo de Sender. O convite, mais do que uma oportunidade de exposição, simboliza um encontro entre diferentes gerações da profissão.

“Ele acreditava que a arquitetura se fortalece quando diferentes gerações dialogam. Essa ideia conversa muito com a forma como enxergamos a profissão”, contam as arquitetas.

A primeira conversa aconteceu por chamada de vídeo, em uma noite de segunda-feira. “Foi uma conversa extremamente sincera. Houve uma identificação imediata, que rapidamente evoluiu para uma parceria profissional muito especial.”

Um loft pensado para diferentes formas de viver

A estreia na mostra acontece com um loft de 100 m² que se distancia da ideia de ambiente-conceito para assumir uma narrativa profundamente humana.

O espaço foi desenvolvido para um casal com mais de 70 anos. Ela é usuária de cadeira de rodas; ele compartilha a rotina do apartamento. O casal costuma reunir filhos, amigos e receber o neto para temporadas, uma criança do espectro autista. A partir desse contexto, cada decisão de projeto nasceu da convivência entre diferentes necessidades.

As soluções de acessibilidade aparecem de maneira integrada à arquitetura, sem assumir protagonismo visual. Alturas de bancada, áreas de circulação, barras de apoio e ergonomia convivem naturalmente com escolhas estéticas sofisticadas, demonstrando que inclusão não precisa ser percebida como adaptação, mas como parte da qualidade do projeto.

“O loft mostra que é possível criar uma arquitetura que respeita diferentes fases da vida, promove autonomia e acolhe as relações familiares sem abrir mão da beleza.”

A proposta dialoga diretamente com o tema nacional da CASACOR deste ano, “mente e coração”, por meio da união entre razão e afeto. Se a mente aparece nas soluções técnicas e na funcionalidade dos ambientes, o coração está presente nas relações familiares, no acolhimento e na maneira como a arquitetura pode contribuir para uma vida mais confortável e significativa.

Mais do que um exercício formal, o projeto convida o visitante a refletir sobre uma pergunta essencial: para quem estamos projetando?

Arquitetura sem assinatura estética

Embora jovem, a Corbellini Lopes já soma mais de 60 projetos desenvolvidos entre residências, espaços comerciais e corporativos. Ao contrário de muitos escritórios que constroem uma assinatura visual facilmente identificável, Priscilla e Ana defendem uma assinatura baseada no processo. “Acreditamos que a melhor arquitetura é aquela que traduz a identidade de quem a vive. Não buscamos reproduzir um estilo, mas compreender pessoas.”

Essa abordagem aparece desde o primeiro encontro com cada cliente. Antes da definição de materiais, acabamentos ou mobiliário, há um processo de escuta e imersão na rotina de quem ocupará o espaço. “O cuidado é nosso maior diferencial. Sempre nos colocamos no lugar do cliente para entender suas reais necessidades.”

O resultado são projetos que transitam entre diferentes linguagens estéticas, mas mantêm constantes a atenção aos detalhes, o rigor técnico e a busca por soluções atemporais.

Uma trajetória construída pelas “primeiras vezes”

A história do escritório acompanha também a história pessoal de suas fundadoras. Casadas, Priscilla Corbellini e Ana Clara Lopes decidiram criar o escritório durante a pandemia, período em que perceberam como a casa passou a ocupar um novo papel na vida das pessoas. “Percebemos que arquitetura é muito mais do que desenhar espaços. Ela influencia diretamente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos.”

Desde então, o crescimento aconteceu de maneira gradual, marcado por desafios inéditos que se transformaram em marcos da empresa. Ainda no primeiro ano, desenvolveram um projeto residencial de 150 m² em São Paulo, experiência que abriu caminho para obras em outros estados. Em seguida vieram projetos comerciais, como um instituto de estética de 350 m², além da internacionalização do portfólio com uma residência em Leeds, na Inglaterra, cliente que voltou a contratá-las para um segundo projeto no ano seguinte.

Hoje, o escritório já realizou trabalhos no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Brasília, Houston (Estados Unidos) e Leeds (Inglaterra), mantendo o foco principalmente em projetos residenciais.

Técnica e sensibilidade

A complementaridade entre as sócias ajuda a explicar a identidade do escritório.

Ana Clara Lopes é engenheira civil e mestre em Gestão, Produção e Meio Ambiente pela Universidade Federal Fluminense (UFF), trazendo uma atuação voltada ao planejamento, sustentabilidade e acompanhamento técnico das obras.

Priscilla Corbellini é arquiteta formada pela PUC-Rio e mestre em Projeto e Patrimônio pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo desenvolvimento conceitual dos projetos e pela construção das narrativas espaciais.

Enquanto uma organiza processos e garante viabilidade técnica, a outra traduz desejos em arquitetura. Essa combinação entre precisão técnica e sensibilidade também se reflete na CASACOR.

Ao desenvolver um loft onde acessibilidade, conforto, infância, envelhecimento e convivência coexistem naturalmente, o escritório reforça uma convicção construída desde sua fundação: bons projetos não começam pelo desenho, mas pelas pessoas.

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