Regenerar a Cidade foi o tema do segundo dia no 4º Salão Rio de Interiores

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Regenerar a Cidade foi o tema do segundo dia no 4º Salão Rio de Interiores

Segundo dia do evento abordou a arquitetura no âmbito acadêmico, das políticas públicas e da regeneração territorial

4º Salão Rio de Interiores
Foto: Miguel de Sá e Renato Wrobel · 4º Salão Rio de Interiores

O segundo dia do Salão Rio de Interiores, que este ano debate o tema “Interiores Regenerativos: do Habitar ao Pertencer”, foi voltado para o regenerar a cidade. Organizada em três escalas – indivíduo, cidade e planeta -, a edição 2026 propõe uma jornada que amplia progressivamente o olhar sobre o papel da arquitetura contemporânea. Nesse contexto, a cidade é o reflexo das relações que construímos entre pessoas, arquitetura e território. Habitação, educação, paisagem e políticas públicas revelam que transformar o espaço construído significa também fortalecer comunidades, reduzir desigualdades e criar novas formas de pertencimento.

No primeiro painel do dia, a academia ganhou espaço no palco para debater a “Formação para o Futuro: Ensinar Arquitetura para um Mundo em Transformação”. Reunindo representantes de importantes faculdades de arquitetura e urbanismo, com mediação de Sônia Lopes, a mesa discutiu como os cursos de graduação estão preparando as futuras gerações de profissionais para esses desafios, refletindo sobre a importância da arquitetura de interiores como disciplina fundamental na formação de arquitetos e urbanistas. Tanya Collado, arquiteta, urbanista e professora universitária, explicou que nos últimos 10 anos o curso de arquitetura mudou muito e essas profundas transformações sociais, ambientais e tecnológicas vêm exigindo novas abordagens no ensino. Com quase 30 anos atuando na educação superior da área, o arquiteto e urbanista João Calafate apontou que não é mais possível desvincular interiores de exteriores, pois constituem hoje um campo estratégico de atuação profissional e de pesquisa, diretamente relacionado às novas formas de habitar e às demandas da sociedade contemporânea. Ele ressalta, inclusive, o papel do corpo docente em instigar e direcionar os alunos em busca desse repertório. Já Flávia de Faria, doutora e professora em arquitetura e urbanismo, trouxe um pouco da sua experiência de ensino na UPF – Universidade da Polinésia Francesa e destacou como é também um aprendizado projetar em outra realidade. E no contraponto dos docentes, a estudante Daniela Valdez Pedrazzoli, que deixou a área de TI para cursar arquitetura, complementou o debate com seu ponto de vista sobre os temas abordados pelo viés de quem está na sala de aula.

Com auditório lotado, a tarde do Salão colocou em debate o “Habitar Também é Política Pública”, reunindo experiências em habitação de interesse social, regeneração urbana e desenvolvimento comunitário, numa conversa que demonstrou como arquitetura, interiores e políticas públicas podem atuar de forma integrada para transformar territórios, fortalecer comunidades e ampliar o acesso à dignidade por meio do ambiente construído. Com mediação de Romulo Baratto, o público se emocionou ao conhecer as iniciativas de duas jovens profissionais que estão transformando vidas por meio da arquitetura de interiores. A arquiteta e pesquisadora Ester Carro compartilhou a realidade das comunidades que ela conhece e com as quais convive desde que nasceu, e a motivação que a fez criar o Instituto Fazendinhando, que desenvolve projetos voltados à regeneração urbana, capacitação profissional e transformação de territórios vulneráveis. Entre dados alarmantes de brasileiros em domicílios considerados inadequados e boa parte deles sem instalações sanitárias, Ester apresentou histórias de vidas e depoimentos de quem foi impactado pelo instituto, e destacou “aprendi que antes de projetar qualquer espaço nas comunidades, nós precisamos construir confiança”. Em um país com um alto déficit habitacional como o nosso, a designer de interiores e pesquisadora Cláudia Ferrari foi buscar dentro da sua expertise uma solução para tentar mitigar as dificuldades de adaptação dos moradores do Programa Minha Casa Minha Vida. Ela explica que o projeto Da Porta Pra Dentro surgiu para explorar o papel do design como instrumento para a promoção de bem-estar, pertencimento e transformação social. “Os programas habitacionais padronizam e compactam a moradia, mas a realidade é que as famílias acabam tendo composições diferentes e necessidade de otimização de espaços para convivência, trabalho e estudo”, explica Cláudia. Nesse sentido, ela encabeça essa parceria entre designers de interiores e assistentes sociais em busca de conforto e funcionalidade, com um portfólio de inúmeras entregas à população.

Fechando o segundo dia de evento, Fernando Mungioli foi o mediador do painel “Arquitetura, Paisagem e Regeneração Territorial”, com a participação da arquiteta e urbanista Paula Otto, e da paisagista e pesquisadora Gabriella Ornaghi, que desenvolvem projetos que conciliam pesquisa, inovação, sustentabilidade e compromisso com o território, voltados à recuperação ambiental, valorização da biodiversidade e uso de espécies nativas como ferramenta para regeneração dos ecossistemas urbanos. Regenerar cidades exige compreender que arquitetura e paisagem são partes de um mesmo ecossistema. A conversa reuniu diferentes perspectivas para discutir como projetos arquitetônicos, planejamento urbano e recuperação ambiental podem atuar conjuntamente na construção de territórios mais resilientes, biodiversos e preparados para os desafios climáticos do século XXI. Mais do que teoria, elas mostraram na prática como se aplicam esses conceitos, usando como exemplo o projeto da Vila da Arquitetura, que está sendo desenvolvido para celebrar os 50 anos da Revista Projeto numa parceria inédita entre 11 grandes escritórios de arquitetura em meio à deslumbrante paisagem natural de São Francisco Xavier, na região serrana de São Paulo. E Fernando ainda deu um spoiler para os participantes do Salão, que puderam conferir em primeira mão o teaser do documentário que será lançado sobre todo o processo criativo e de construção da Vila, que tem inauguração prevista para setembro de 2027.

(crédito: Miguel de Sá e Renato Wrobel)

(27/08), o último dia do Salão Rio de Interiores aborda o Regenerar o Planeta, e traz nomes como Patrícia Quentel, Lauro Andrade e Gabriela de Matos para debater eventos que transformam; além da participação internacional do arquiteto, engenheiro e professor italiano Carlo Ratti, que vai apresentar uma visão sobre o papel da arquitetura diante das mudanças climáticas, da inovação tecnológica e das transformações urbanas do século XXI.

Com curadoria de Gisele Taranto e Marcela Abla, o Salão Rio de Interiores é realizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Rio de Janeiro (AsBEA/RJ) e pelo Departamento do Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), com patrocínio do CAU/RJ e CasaShopping. Junta Arquitetura é a responsável pelo layout e conceito sustentável dos stands, e Lider assina como Mobiliário Oficial.

Serviço

4º Salão Rio de Interiores

Data: 25 a 27 de agosto

Horário: 12h30 às 21h30 Local: IAB-RJ – Rua do Pinheiro, 10, Flamengo Realização: AsBEA/RJ e IAB-RJ Conecte-se: Instagram e TikTok – @salaoriodeinteriores

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