Pavilhão Corujas transforma cobertura técnica em refúgio de lazer com vista para a Vila Madalena Assinado pelo arquiteto Fernando Milan, do MDH.Arq, projeto de 120 m² combina estrutura metálica, madeira e elementos de brasilidade para criar uma extensão da casa integrada à natureza

























Próximo à Praça das Corujas, em uma rua fechada e arborizada da Vila Madalena, em São Paulo, o último andar de um sobrado ganhou uma nova vocação. Antes ocupado por uma laje técnica, o espaço de 120 m² foi transformado pelo MDH.Arq, do arquiteto Fernando Milan, em um pavilhão de estar e lazer com amplas aberturas para o entorno e vista privilegiada para o vale da Vila Madalena e do Sumaré.
A principal premissa do projeto foi criar um ambiente de uso permanente, capaz de aproximar os moradores da natureza sem abrir mão do conforto em diferentes condições climáticas. O desejo dos clientes, que gostam de receber amigos e familiares, era ter um espaço aberto e integrado ao jardim, mas que também pudesse ser aproveitado nos dias de chuva. “A ideia era transformar uma área que antes tinha uma função exclusivamente técnica em um verdadeiro espaço de convivência. Buscamos criar uma arquitetura que tivesse essa relação muito forte com o exterior, mantendo as laterais abertas, a ventilação e a iluminação natural, mas oferecendo também proteção e conforto”, explica Fernando Milan, arquiteto responsável pelo projeto.
Um novo pavilhão no alto do sobrado Para viabilizar a intervenção no último pavimento e facilitar o acesso da obra, o escritório optou por substituir a cobertura e as alvenarias existentes por uma nova estrutura inteiramente metálica. Além do baixo peso sobre a construção existente, a solução permitiu acelerar a execução: a montagem da estrutura levou aproximadamente 15 dias.
O desenho é marcado pelos generosos beirais em balanço e pelo grande plano de madeira que funciona como uma espécie de “chapéu de sol”. Revestido em lambril de Grápia, o forro protege o espaço da incidência direta do sol e da chuva sem comprometer a circulação de ar e a entrada de luz natural. “Originalmente, havíamos pensado a estrutura em madeira. Por questões técnicas, a estrutura metálica se mostrou uma solução mais adequada, principalmente pelo peso e pela dificuldade de acesso ao último andar. Para preservar a presença da madeira, que era muito importante para a atmosfera que queríamos criar, transformamos o forro nesse grande plano revestido em lambril. Ele acabou assumindo um papel protagonista no projeto”, conta Milan.
As fachadas leste e oeste são abertas nas laterais e delimitadas pelos volumes que abrigam os ambientes de apoio. O descolamento desses volumes em relação ao forro também contribui para a ventilação permanente da área técnica e do lavabo.
Três setores, diferentes formas de aproveitar o espaço
O novo layout foi concebido a partir da manutenção apenas da escada de acesso existente e organizado em três setores. No centro, sob a cobertura, fica a área de refeições, com uma grande mesa e bancada de apoio. Embora protegida pelo pavilhão, a área permanece completamente aberta nas laterais, reforçando a integração com o exterior.
Em um dos volumes laterais estão a área técnica e o lavabo. Do outro lado, a escada se conecta a um grande armário para louças e brinquedos, fechado por painéis de portas pivotantes. Voltado para o vale e para a área de maior incidência solar, o primeiro setor externo foi destinado ao banho de sol, com espreguiçadeiras e chuveirão. Na outra extremidade, mais reservada e voltada para a face interna do lote, foi criado um estar externo com sofás e poltronas, cercado por um jardim de espécies predominantemente tropicais.
A composição faz com que o pavilhão tenha diferentes atmosferas ao longo do dia, aproveitando tanto a vista para o vale quanto o pôr do sol e a relação mais íntima com o jardim.
Madeira, texturas e brasilidade Para equilibrar a presença mais industrial da estrutura metálica e das alvenarias, o projeto aposta em diferentes usos de uma mesma madeira: a Grápia. No forro, o material aparece em delicadas réguas de lambril de 7 cm. Na marcenaria, ganha forma em painéis ripados com réguas de 1,7 cm, enquanto uma grelha vazada cria uma área de ventilação permanente.
A paleta de materiais combina ainda paredes com textura rústica em tom camelo, piso de granito cinza-claro, tijolos envelhecidos no lavabo e um painel de azulejos da Mica Azulejos, com grafismo orgânico em tom terracota queimado.
O mobiliário reforça a atmosfera de brasilidade contemporânea. Entre os destaques estão as poltronas da Dengô, inspiradas nas clássicas cadeiras de praia e trabalhadas artesanalmente com uma técnica que remete ao macramê; as cerâmicas de Luisa Loi; as luminárias de barro torneado sobre a mesa; e as cadeiras de corda náutica e alumínio da Tidelli, escolhidas pela resistência às condições externas. “A escolha dos materiais e do mobiliário buscou trazer uma brasilidade sem recorrer a elementos literais. Madeira, cerâmica, fibras, tons terrosos e peças artesanais criam uma atmosfera acolhedora e descontraída. O resultado é quase como uma casa de fim de semana, mas inserida no contexto urbano de São Paulo”, afirma o arquiteto.
Com 2 meses de projeto e cinco meses de obra, o Pavilhão Corujas transforma uma antiga área técnica em uma extensão da casa dedicada ao convívio, ao descanso e ao contato com a natureza. O resultado é um espaço contemporâneo que combina a leveza da estrutura metálica à materialidade da madeira e à informalidade dos elem
Projeto: MDH.Arq — Fernando Milan
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Execução da obra: EJS Projetos & Construções Projeto luminotécnico: Reka Iluminação Paisagismo: Estúdio Manacá Fotos: Ana Helena Lima Mobiliário, revestimentos e iluminação: Tidelli, Dengô, Reka Iluminação, Mica Azulejos, Luisa Loi, Colormix Revestimentos, Del Favaro e Pau-Pau Pisos em Madeira.



