Leonardo Zanatta propõe uma reflexão sobre os materiais brasileiros no hall da BAB

Através da instalação "Tectônicas em Exílio", o arquiteto gaúcho promove uma discussão sobre a exploração das matérias-primas nacionais

por Equipe Viva Decora
0 comentários
Com a instalação “Tectônicas em Exílio”, o arquiteto gaúcho transforma o espaço de entrada em uma grande galeria imersiva, onde terra, rochas e madeiras amazônicas desenham o skyline simbólico de uma cidade construída a partir de matérias-primas nacionais.

Leonardo Zanatta propõe uma reflexão potente sobre os materiais brasileiros no hall da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), em São Paulo

Foto: Everson Martins | Projeto: Leonardo Zanatta | Leonardo Zanatta propõe uma reflexão potente sobre os materiais brasileiros no hall da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), em São Paulo

 

Entre 25 de março e 30 de abril de 2026, São Paulo recebe a primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), no Parque Ibirapuera. Além do masterplan, o arquiteto gaúcho Leonardo Zanatta assina o hall de entrada e a bilheteria do evento, que funciona como uma grande galeria.

Os visitantes são recebidos pela instalação “Tectônicas em Exílio”, obra de quase 20 metros de comprimento por 4 metros de largura que simula o skyline de uma cidade construída com materiais brasileiros. A presença crua e orgânica da terra, das rochas naturais e das madeiras amazônicas aponta para uma tensão: o luxo do Norte Global se sustenta na exploração e no apagamento do Sul.

 

Com a instalação “Tectônicas em Exílio”, o arquiteto gaúcho transforma o espaço de entrada em uma grande galeria imersiva, onde terra, rochas e madeiras amazônicas desenham o skyline simbólico de uma cidade construída a partir de matérias-primas nacionais.

Foto: Everson Martins | Projeto:  Leonardo Zanatta | Com a instalação “Tectônicas em Exílio”, o arquiteto gaúcho transforma o espaço de entrada em uma grande galeria imersiva, onde terra, rochas e madeiras amazônicas desenham o skyline simbólico de uma cidade construída a partir de matérias-primas nacionais.

 

“O Brasil exporta muitas matérias-primas que são extremamente refinadas, mas que não ficam aqui”, observa Zanatta. “Rochas extraídas no Nordeste são levadas como bloco bruto para o exterior, beneficiadas na Itália, recebem carimbo de ‘feito na Itália’ e permanecem lá. Muitas vezes as pessoas nem sabem que é um recurso mineral brasileiro.”

O arquiteto cita a Amazonita, pedra extraída no Ceará que reveste a maioria das lojas da Tiffany no mundo, comercializada por uma empresa italiana. Este é apenas um exemplo de como materiais nacionais ganham notoriedade sem que sua origem seja reconhecida.

Os visitantes podem interagir com a obra, sentando-se nas peças menores posicionadas nas bordas. O espaço conta ainda com duas obras do artista Luiz Escañuela. A série escolhida por Zanatta utiliza mapas antigos da capitania de São Paulo, do século 17, impressos em lona de caminhão e pintados com argila em tonalidades que remetem à pele humana.

“Território é pele também, é corpo. Há uma questão muito visceral nas obras”, descreve Zanatta sobre o trabalho de Escañuela, artista da nova geração com idade próxima ao arquiteto.

Ficha técnica

Autores: Leonardo Zanatta. 

Equipe: Lucas Carilli, Nathalia Wehmuth, Henrique Azevedo, Davi Erbs, Anna Schmutzler.

Execução: Instituto Bienal de Arquitetura Brasileira.

Marcas apoiadoras: Duratex, Estones, EvvivaVedac, Taipal, Tapeçaria Italiana. 

 

Se inspire nos projetos dos profissionais cadastrados no Viva Decora Pro.

Posts relacionados

Deixe um comentário