Entre os ambientes que compõem a CASACOR São Paulo 2026, a arquiteta Isabella Nalon apresenta ‘A Poética do Ritmo’, projeto que convida o visitante a desacelerar e refletir sobre a relação entre mente, emoção e as experiências que construímos dentro de casa. A proposta dialoga diretamente com o tema desta edição da mostra, ‘Mente e Coração’, que ocupa o Parque da Água Branca entre os dias 2 de junho e 9 de agosto.
Em sua segunda participação na CASACOR São Paulo, Isabella desenvolveu um espaço de 45 m² onde arquitetura, música, literatura e arte caminham juntas. Sem divisórias rígidas, o ambiente conduz o público por uma narrativa que começa em uma sala de música e se desdobra em uma biblioteca, criando uma experiência pautada pela contemplação, pelo conhecimento e pela conexão emocional.
Entre os destaques estão a coleção de discos de vinil, o toca-discos, partituras musicais, obras de arte especialmente selecionadas para o projeto e uma biblioteca que reúne títulos ligados à trajetória pessoal e profissional da arquiteta. Elementos da cultura brasileira também aparecem na composição por meio da materialidade, das cores e das referências artesanais presentes no espaço.

Em uma época marcada pelo excesso de estímulos e pela aceleração permanente da vida contemporânea, a arquiteta Isabella Nalon, que participa, pela segunda vez, da CASACOR São Paulo 2026, apresenta um ambiente que investiga a arquitetura como instrumento de reconexão interior.
Em A Poética do Ritmo, música, literatura, arte, memória afetiva e materialidade brasileira constroem uma narrativa sensorial que propõe o morar contemporâneo não como fuga do cotidiano, mas como a possibilidade de reorganizar o ritmo interno através da contemplação das múltiplas expressões artísticas.
Na visão da profissional é preciso que a gente observe a beleza do viver e realize aquilo que, verdadeiramente, nos eleva. Cada detalhe da narrativa espacial idealizada por ela conduz o visitante por meio da percepção, dos sentidos e do olhar. “Ao tocar os sentimentos, meu intuito é possibilitar que cada pessoa possa olhar para dentro, perceber o próprio ritmo e refletir sobre aquilo que realmente importa”, preconiza.
Inspirado no tema da edição da mostra CASACOR São Paulo 2026, Mente e Coração, o ambiente, uma ilha de conforto de 45 m², converte um espaço de passagem em um lugar de permanência, convivência e experiência, compondo um retrato sensível de quem escolhe viver cercado de cultura e, claro, muita brasilidade.
“O projeto nasceu da ideia de que o alinhamento entre mente e coração gera um estado de clareza e força. É nesse ponto de convergência que surgem as escolhas mais autênticas, tanto na vida, quanto na arquitetura”, explica Isabella Nalon.

Sem divisórias rígidas, o projeto se organiza em três setores fluidos e complementares, gerando a sensação de percorrer uma casa viva e conectada aos sentidos. Cada setor tem sua atmosfera própria, mas todos permanecem conectados visualmente e emocionalmente.
Nesse paralelo, Isabella também exalta a brasilidade e a forma como passado e presente se comunicam. “Quero expressar como o resgate pessoal das nossas ancestralidades e os hábitos de outrora, como ouvir uma música com o corpo e a atenção plena, além de ter nas mãos um livro físico, entregam muito que nosso inconsciente almeja, mas que nos esquecemos na conjuntura dos tempos de hoje”, argumenta.
Para a arquiteta, a CASACOR São Paulo representa a matéria, o plano físico onde a arquitetura possibilita esse movimento simbólico do alinhamento entre razão e emoção.
No percurso do ambiente, uma fragrância exclusiva foi desenvolvida especialmente para reforçar o clima sensorial. Com notas de fundo de chá branco, combinadas com uma seleção de flores, o aroma acompanha o visitante pela incursão pessoal que realizará.
A arquitetura como expressão dos sentimentos

A experiência começa na entrada, quando a profissional começa a revelar suas primeiras impressões sobre A Poética do Ritmo. Por ser um ambiente de passagem, ela concebeu um projeto de arquitetura em que o visitante circula de maneira fluida e é instigado a observar cada pormenor exposto. “Nada é por um acaso e eu sou convicta de que tudo tem uma intenção e um significado”, verbaliza.
O amplo pé-direito, de 4 m, também faz parte da narrativa. Logo na entrada, um pórtico de madeira, executado pela Todeschini Arte Design, assim como toda marcenaria, origina uma aura convidativa e acolhedora. Na sala de música, o forro de gesso reduz levemente a altura e entrega uma sensação intimista, enquanto na biblioteca as vigas de madeira desenham o teto em uma composição ritmada, remetendo aos telhados das varandas das antigas casas brasileiras. O elemento conduz o olhar verticalmente e reforça o sentido de profundidade e permanência.
A paleta cromática também participa ativamente da construção emocional do espaço. O ritmo, tão presente em todo espaço, é compreendido pelas distinções arquitetônicas que, a partir da biblioteca, o visitante distingue na sala. “Desde a ‘caixa’ monocromática da sala, formada pelas paredes e o teto na cor Café Místico, da Coral, e as vigas instaladas no teto da biblioteca, essa repetição cadenciada entrega a ideia de uma varanda”, enumera Isabella, que investiu na profundidade da cor Chapada Diamantina para introduzir dramaticidade e profundidade visual à biblioteca.



