O ‘Jardim Respiro’, ambiente da CASACOR São Paulo 2026 assinado pelas paisagistas Karin Marini, da Leve Paisagismo, e Ana Lui, convida o visitante a desacelerar e reconectar-se com a natureza. Com aproximadamente 300 m², o espaço une naturalismo contemporâneo, espécies nativas brasileiras, experiências sensoriais e sustentabilidade, marcando presença na principal mostra de arquitetura, design e paisagismo das Américas.

Inspirado no tema da edição — ‘Mente e Coração’ — o projeto nasce como um território de transição entre o ritmo acelerado do mundo externo e a atmosfera sensível da mostra. A proposta parte do naturalismo contemporâneo e valoriza espécies nativas brasileiras pouco exploradas no paisagismo ornamental, reforçando um olhar mais identitário, ecológico e conectado à biodiversidade nacional. “O jardim foi pensado para ser sentido antes mesmo de ser compreendido. Queríamos criar uma experiência emocional, capaz de despertar pertencimento, memória e conexão genuína com a natureza”, afirma Ana Lui.

O percurso orgânico conduz o visitante por diferentes estímulos sensoriais. Um espelho d’água percorre o espaço em níveis variados, enquanto volumes vegetais em diferentes alturas criam movimento e profundidade. A presença de uma árvore nativa com folhagem prateada — semelhante à oliveira, mas genuinamente brasileira — questiona padrões estéticos importados e valoriza a potência da flora nacional.

O paisagismo do ambiente “Jardim Respiro” valoriza a biodiversidade brasileira por meio de espécies nativas e de forte apelo sensorial, reforçando o conceito de naturalismo contemporâneo presente no projeto. Entre as escolhas botânicas estão a Orelha de Onça, com suas folhas aveludadas e táteis; o Tataré, de presença escultórica em sua copa e troncos. O jardim também abriga o exuberante Lírio do Amazonas, a delicada Justicia carnea, além das floridas Tríalis e Ruelias rosa e roxa, que garantem cores ao longo de todo o ano. Vindas de biomas como Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia e Caatinga, as espécies criam uma composição orgânica, viva e resiliente, conectando sofisticação, natureza e experiência sensorial.

Outro destaque do ambiente é o meliponário integrado ao jardim, que vai além da função ecológica. O espaço propõe experiências de degustação de mel e aproxima o público do universo das abelhas nativas sem ferrão, reforçando temas como coletividade, regeneração ambiental e educação ecológica. “As abelhas representam inteligência coletiva, equilíbrio e continuidade da vida. Inserir o meliponário no projeto foi uma forma de traduzir, de maneira sensível, a relação entre natureza, cuidado e futuro”, destaca Karen Marini.

A materialidade do ambiente também reforça o conceito do projeto. Decks orgânicos estruturam o percurso, enquanto a iluminação em espectro âmbar cria uma atmosfera acolhedora e reduz impactos sobre a avifauna. O espaço ainda conta com mobiliários exclusivos desenvolvidos especialmente para o ambiente, esculturas inspiradas em favos de mel, espelhos que ampliam as paisagens e projeções audiovisuais que transitam entre memória, natureza e urgência climática.

Sustentabilidade e tecnologia aparecem de forma integrada em soluções como irrigação inteligente, iluminação LED eficiente, uso de materiais recicláveis e monitoramento das colmeias e da umidade do solo. O projeto também preserva a drenagem natural existente e prioriza espécies que favorecem polinizadores e biodiversidade. Mais do que um jardim contemplativo, “Jardim Respiro” propõe uma reflexão sobre formas mais sensíveis e regenerativas de habitar o mundo.



























