Na 3ª edição da Viva Magazine, conheça o trabalho da designer Scarlett Yang, que une biotecnologia, design digital e sustentabilidade para criar peças efêmeras que retornam à natureza
Quando o luxo se desfaz em água
por Alvaro Guillermo
Scarlett Yang transforma o efêmero em linguagem e propõe um futuro com design e sustentabilidade.
“Do físico ao digital, do material ao imaterial.”
É nesse intervalo quase invisível que habita Scarlett Yang, artista e designer que transforma o ato de vestir em reflexão sobre o tempo, a natureza e a própria existência da matéria.
Educada entre arte e engenharia no Central Saint Martins, no Royal College of Art e no Imperial College London, Yang constrói uma poética da transformação. Suas criações nascem de experimentações laboratoriais que unem biotecnologia, design digital e filosofia ecológica. São obras que vivem, mudam e, por fim, desaparecem.
Em um de seus projetos mais emblemáticos, a artista desenvolveu uma peça translúcida, semelhante ao vidro, feita a partir de extratos de algas e resíduos de casulo de seda. A roupa reage ao ambiente: se dissolve com a umidade, se desfaz no tempo, retorna à água de onde veio. Efêmera, mas profundamente simbólica, um manifesto contra o descarte e o consumo sem consciência.
Para prever e moldar essas estruturas, Yang recorre a tecnologias 3D, reduzindo o desperdício e explorando novos modos de produção digital. Seu trabalho questiona a lógica da moda industrial e propõe um sistema de design regenerativo em que nada é permanente, e tudo está em fluxo.
Especializada em estratégias de design de luxo, Scarlett Yang atua na interseção entre ciências naturais, tecnologia digital e estética contemporânea. Sua abordagem enfatiza a sustentabilidade, o pensamento interdisciplinar e o design circular como caminho para um futuro mais consciente e inovador.
Reconhecida internacionalmente, Scarlett Yang recebeu o LVMH Green Trail Award e integrou o Rolls-Royce MUSE Art Program. Suas obras já passaram por instituições como o V&A Museum, Christie’s, Somerset House e a Bienal de Design de Londres.
Entre o físico e o etéreo, Yang redesenha o futuro da criação: um futuro líquido, sensível e sustentável onde vestir pode ser um ato de transformação.
fotos: Studio Scarlett Yang
Jornalismo: Alvaro Guillermo
Fonte: Viva Magazine



