Algaemy: tinturaria com microalgas que muda de cor com o tempo

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Algaemy: tinturaria com microalgas que muda de cor com o tempo

Direto da 3ª edição da Viva Magazine, conheça o projeto das designers Essi Johanna Glomb e Rasa Weber, que transforma microalgas em tintas vivas e propõe um design têxtil mais sustentável

Algaemy – Alquimia líquida: o design vivo do projeto

Algaemy projeto das designers Essi Johanna Glomb e Rasa Weber
fotos: https://blondandbieber.com/algaemy · Algaemy projeto das designers Essi Johanna Glomb e Rasa Weber

O que pode nascer de algo que muitos chamam de “erva daninha”? Para as designers berlinenses Essi Johanna Glomb e Rasa Weber, as microalgas não são resíduos indesejados, mas um laboratório vivo de cores, materiais e futuros possíveis. Assim nasceu Algaemy, projeto que transforma algas em tintas mutantes e tecidos em narrativas de transformação.

Ao invés de recorrer a pigmentos industriais, Algaemy imprime padrões têxteis com materiais vivos cultivados internamente, em colaboração com o Instituto Fraunhofer de Pesquisa em Microalgas. O resultado é uma paleta biodinâmica que nunca permanece igual: expostos à luz solar, os tecidos mudam de verde para azul, de rosa para vermelho, até alcançar tons alaranjados intensos. Como as pessoas, eles também se transformam com o tempo.

Essa instabilidade, vista pela indústria como um defeito, aqui é celebrada como estética do processo. Cada peça carrega em si a passagem das horas e a memória da luz, lembrando que o design não precisa ser eterno para ser valioso. A indústria têxtil, em contrapartida, insere inúmeros produtos químicos nocivos ao meio ambiente para que as cores durem décadas. O contraste é visível: rios vizinhos às fábricas na China chegam a mudar de cor conforme a moda da estação.

Para o projeto, as designers desenvolveram um laboratório analógico móvel: um dispositivo que filtra a água, extrai o pigmento e prepara as cores. Nele, uma grande roda funciona ao mesmo tempo como impressora e meio de locomoção, onde borrachas gravadas transferem os padrões para os tecidos.

A preparação do pigmento foi inspirada em práticas tradicionais do Lago Chade, no Quênia, onde a água é filtrada em tecidos para produzir uma pasta nutritiva. No Algaemy, esse processo foi ressignificado como pigmento para impressão. É também um convite a fazer as coisas à mão, criando objetos que carregam identidade e história próprias.

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“Uma camiseta tem uma vida útil curta de três anos, em média. Não faz sentido investir em produtos químicos para que a cor dure trinta.” — Rasa Weber

O trabalho chamou a atenção de instituições e marcas. Foi indicado a prêmios como o German Design Award e o DMY Award, e inspirou colaborações como a camiseta Plantas e Algas, desenvolvida pelo estúdio Blond & Bieber em parceria com a Vollebak. Feita de polpa de eucalipto e algas cultivadas em biorreatores, a peça é pensada para desaparecer: em doze semanas, no solo, vira alimento para minhocas. Uma roupa que volta ao ciclo da vida.

Mas o alcance das microalgas vai além da moda. Elas já se mostram fundamentais para a nutrição, a produção de energia, a filtragem da água e a captura de CO₂. Ao transformar algas em cor, as designers apontam para um design que é, ao mesmo tempo, material, narrativo e ecológico.

Rasa Weber acredita no design em equipes multidisciplinares e colaborativas e hoje amplia essa abordagem em direção ao mar em seu doutorado SIMBIOCEANO. Sua pesquisa investiga novos processos para criar recifes artificiais, esculturas e até cidades submersas destinadas à vida marinha, pensando o oceano como espaço de experimentação artística e como horizonte de um design simbiótico, aquele que nasce da colaboração entre humanos e ecossistemas.

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Podemos pensar nas algas como um material da era espacial que, por acaso, tem 1,5 bilhão de anos. Fonte original de toda a vida vegetal do planeta, elas consomem dióxido de carbono, produzem até 80% do oxigênio da Terra e talvez sejam a chave para a sobrevivência em outros mundos.

Em tempos de emergência climática, Algaemy não é apenas um experimento de tinturaria alternativa. É um manifesto em cores vivas sobre como olhar para a água e projetar com o tempo, a vida e a transformação. Se o futuro do design está no diálogo com a natureza, talvez as algas, tão pequenas e tão vitais, já estejam nos ensinando a desenhar para sobreviver.

Jornalismo: D+ Editora

Fonte: Viva Magazine

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