A CASACOR São Paulo 2026 apresenta uma edição que convida o público a desacelerar e se reconectar com o que é essencial. Em sua segunda passagem pelo Parque da Água Branca, a mostra propõe uma experiência profundamente ligada à natureza, ao bem-estar e às relações humanas, traduzindo o tema “Mente e Coração” em um percurso que integra arquitetura, paisagismo, design, cultura e afetividade.
Mais do que uma mostra de arquitetura, a CASACOR reafirma seu papel como plataforma cultural e agente de transformação urbana. Ao longo de sua trajetória, o evento se consolidou também pela ocupação temporária de edifícios históricos e espaços pouco acessados da cidade, promovendo requalificação urbana, novos usos e reconexão do público com patrimônios arquitetônicos e culturais. A edição reforça esse compromisso ao propor uma ocupação que respeita integralmente as diretrizes de preservação do espaço público tombado.
Ao todo são 70 ambientes, entre casas, espaços de debate e áreas de estar, jardins, praças, instalações artísticas, escadarias, estúdios, lofts e tiny houses, ocupando uma área construída de mais de 10 mil m² no coração de um parque urbano com vegetação preservada. Desse percurso, 40% da mostra é aberta ao público, ampliando a integração entre a CASACOR e a vida cotidiana do parque.
Em meio à presença cada vez mais acelerada da inteligência artificial no cotidiano e aos efeitos provocados pelo excesso de informações, esta edição da CASACOR propõe um convite aos sentidos: uma pausa. O tema revela a força de outras inteligências — orgânica, psíquica, ancestral — como caminhos para nos religarmos a nós mesmos, aos outros e ao espaço que habitamos.
Logo na chegada, o visitante é envolvido pela atmosfera da edição por meio da fachada de muxarabis desenvolvida por José Luiz Favaro e Yuri Matsui Ramos. Como uma membrana entre o parque e a mostra, a estrutura contorna o perímetro sem ocultar totalmente o interior, preservando transparências e criando uma transição sensível entre dois universos. Seus recortes orgânicos filtram a luz e projetam sombras que se misturam às da vegetação, convidando o público a desacelerar e atravessar, pouco a pouco, para a experiência da CASACOR.
O primeiro jardim da edição, assinado por Ana Lui e Karen Marini, conduz o visitante por um caminho entre flores e folhagens até um dos símbolos da mostra: a bilheteria criada por Viviane Teles. Vista de cima, sua estrutura forma uma grande mandala. O projeto explora o que a arquiteta chama de inteligência orgânica, em diálogo com a bioarquitetura e as construções experimentais em bambu. Esses dois projetos de introdução dão o tom de “Mente e Coração”, tema que investiga o propósito dos materiais, dos símbolos e dos gestos que compõem a casa latino-americana. Concebido a partir de um seminário realizado no Sesc Pompeia, com a presença de Teles, Maria Homem e do líder indígena Carlos Papa, o tema se apresenta como um contraponto às ideias modernas da casa como suporte do progresso, da eficiência e da manutenção de uma vida produtiva.
Essa reflexão ultrapassa o espaço íntimo da morada e se estende à própria casa que abriga a mostra: o Parque da Água Branca. Na sequência do percurso, o projeto de Pam Faccin tensiona uma das questões centrais do patrimônio: como preservar um parque que, ao longo do tempo, também incorporou espécies exóticas? A paisagista responde com uma investigação do bioma original do território, utilizando exclusivamente espécies da Mata Atlântica e tratando o paisagismo como uma forma de escuta e reconhecimento do lugar.
A grande praça diante dos prédios históricos, criada por Maria Fernanda Marques Paisagismo, amplia essa relação entre arquitetura, natureza e cuidado. Entre árvores centenárias, o projeto propõe hotéis de insetos — estruturas pensadas para atrair, proteger e abrigar polinizadores, como abelhas solitárias, e insetos auxiliares, como joaninhas e crisopas.
Todo o projeto externo foi executado em piso elevado, preservando o solo e minimizando impactos ambientais, enquanto os jardins foram implementados em vasos. A iluminação também foi cuidadosamente planejada para não interferir na fauna local, especialmente nos animais de hábitos noturnos.
Ao longo do percurso, a CASACOR São Paulo 2026 reúne projetos que traduzem o tema “Mente e Coração” em diferentes escalas de experiência — da casa ao jardim, da contemplação ao encontro. No Prédio 23, o visitante acessa a mostra por um hall com instalação de Paulo Azevedo, concebida como uma cabana de memórias afetivas e contemplação. Entre os destaques, estão a Casa Magma Portinari, assinada pela Suite; a casa com varanda criada por Dado e Guilherme Castello Branco para a Deca; o ambiente de Gabriel Fernandes para a Simonetto, em homenagem à arquiteta e designer Janete Costa; e a ampla casa de Nildo José para a Coral, em que tintas e texturas evidenciam as tendências da marca.
A experiência segue por ambientes que exploram diferentes modos de morar, como os estúdios de Felipe Saurin e do Studio Costa+Azevedo para o Mercado Livre, o loft de Léo Shehtman, a Casa Jacob | Itaú Personnalité de Felipe Carolo, o loft de bossa carioca de PN+ | Paula Neder e a Casa Brastemp, assinada por Marcelo Salum, com atmosfera pop, tons vermelhos, neons e referências lúdicas. Na área externa entre os prédios, ganham destaque o Refúgio Fleury, criado pelo Estúdio Musgo por Denis Bessa em celebração aos 100 anos do grupo Fleury, e a casa de vidro de Felipe Rossi, que integra áreas internas e externas e deixa a natureza entrar.
No Prédio 22, o percurso começa pela Arena do Conhecimento, assinada pelo Senac-SP + Estudio Guto Requena, em uma ação inédita que reuniu alunos para criar um ambiente dedicado a palestras, encontros e debates sobre inovação, sustentabilidade e tecnologia na arquitetura. Com apoio do Lar Center, a programação será aberta ao público e começa com a Semana Senac do Conhecimento, entre os dias 9 e 12 de junho.
O edifício reúne ainda ambientes dedicados a novas formas de viver, trabalhar e conviver, como o estúdio universal de Letícia Nannetti Arquitetura.



