Projeto Amoroso, assinado pela arquiteta Rafaela Giudice, valoriza a estrutura original do imóvel e adapta o ambiente com janelas ‘camarão’, marcenaria planejada, nicho embutido e uso de tons de bege, areia e madeira pelo lar.
É dentro das metrópoles que verdadeiros refúgios urbanos e convidativos florescem. No caso dessa casa de vila, com impressionantes 120m², uma nova configuração permitiu preservar elementos originais da construção, mas com o charme de layouts integrados, funcionais e iluminação natural, perfeito para aquela reunião de fim de semana. Mudando a experiência do ‘morar’ em grandes cidades, o Projeto Amoroso leva a assinatura do escritório BESPOKE Dela, da arquiteta Rafaela Giudice.
Com espaços antes compartimentados e pouco conectados, a residência passou por uma reestruturação que privilegia a circulação e a entrada de luz natural através de reformas inteligentes, adaptando o ambiente com “janelas camarão”, marcenaria planejada em tons claros, nicho embutido no corredor e até espelho para ampliar a sensação de profundidade do lar. O resultado é uma casa mais fluida, confortável e alinhada às demandas dos moradores.
“Os clientes desejavam uma casa mais ampla, integrada e funcional, onde os ambientes favorecessem a convivência no dia a dia. A proposta da reforma foi justamente eliminar a sensação de compartimentação e criar espaços conectados, permitindo que a família interagisse com mais conforto, sem abrir mão da identidade original do imóvel”, destaca Giudice.

Entre os principais diferenciais da reforma está a ‘parede de tijolos aparentes’, que ocupa a sala como um cartão de visitas. Facilmente confundida com revestimento, a arquiteta explica que a parede traz um charme especial, preservando a memória e dialogando com a linguagem arquitetônica contemporânea. “Esses são os tijolos utilizados na construção da própria casa. Nós descascamos todo o reboco, pintura e massa que tinha em cima, pintamos e demos uma seladora. Dá uma super textura”, explica.
Outro elemento marcante é a instalação de duas janelas “camarão”, implementadas na sala e na cozinha. Ampliando a integração entre ambiente interno e externo, as janelas favorecem a ventilação cruzada, potencializam a entrada de luz natural e criam uma sensação de continuidade espacial, tornando os espaços mais agradáveis para o dia a dia. “Sabe aquele dia de domingo gostoso? Pode ser um café da manhã, um churrasco. A abertura da cozinha com o lado externo proporciona essa integração convidativa, e o uso dos tijolinhos de ‘demolição’ no chão do pátio externo, dá um ar de arquitetura toscana (originalmente italiana) em solo brasileiro”, comenta Rafaela.
Além da integração entre ambientes, uma paleta predominantemente clara amplia a sensação de luminosidade da casa, o que auxilia junto ao componente de texturas e novos layouts. A arquiteta também promoveu a troca do piso de ardósia cinza dos ambientes, propôs uma nova pintura na cor de cimento queimado no teto e mesclou o uso de tons de bege, areia e madeira por toda a casa.
“Não é só a iluminação que preenche a casa com mais vida. Tem mais dois espaços que também chamam muito a atenção neste projeto. Um deles é o lavabo. A gente traz o ladrilho de três cores da Dalle Piage e uma prateleira aérea sofisticada para decorações, que é sucesso. O outro destaque ficou para a cozinha. Os armários em MDF sálvia da arauco dão um contraste do verde floresta com o MDF branco dos armários aéreos, além de um vidro canelado nas portas. Mostrando que o branco pode ser muito bem utilizado”, conta.

Com mais de cem projetos assinados, Rafaela explica que o Amoroso se destacou pelo aproveitamento dos 120 m², passando ainda por áreas como lavanderia e pela estrutura do primeiro andar da casa. Para Giudice, o nicho embutido para aproveitar o espaço “morto” que liga o banheiro principal, com o quarto de casal, de visitas e do filho, é um dos chamarizes no setor mais privativo da casa.
Ainda segundo a especialista, o Projeto Amoroso também reflete uma mudança no modo de pensar a arquitetura residencial. Para Rafaela, cresce a busca por lares que expressem a identidade do morador, deixando para trás a ideia de ambientes excessivamente minimalistas e impessoais. A arquiteta explica que cada vez mais pessoas querem que a casa conte sua história, que acomode os objetos construídos ao longo da vida e que tenha personalidade – como no caso do projeto, em que os ambientes foram preenchidos pelas memórias, coleções, livros, obras e objetos que fazem parte da rotina dos próprios clientes, e não por uma decoração padronizada ou produzida apenas para compor a estética ou luxo nos espaço.

“Reformas bem planejadas podem renovar completamente uma residência com sucesso. Cada intervenção é orquestrada para equilibrar estética, funcionalidade e conforto, respeitando as características originais da casa e as histórias de cada morador. O Projeto Amoroso, apesar de algumas demolições, reforça uma tendência crescente da arquitetura contemporânea: adaptar construções existentes às novas formas de morar, valorizando a estrutura original e incorporando soluções que promovem bem-estar e identidade. Tudo isso sempre alinhado às preferências do cliente e o que faz ele se sentir bem”, conclui.






