A escolha de acabamentos é uma das etapas mais críticas em projetos de arquitetura e interiores. Para garantir decisões assertivas, o profissional deve pautar suas escolhas em critérios técnicos que superam a estética. No caso das placas, é obrigatório seguir as normas de revestimento cerâmico para evitar patologias futuras e garantir a segurança dos usuários em diferentes ambientes.

A avaliação criteriosa do local de instalação é o primeiro passo para uma especificação correta. É necessário analisar as condições climáticas, o fluxo de pessoas e os produtos que entrarão em contato com a superfície. Ambientes comerciais exigem pisos com resistência superior aos residenciais, pois estão sujeitos a um desgaste acelerado e maior tráfego, demandando conformidade com as Normas Brasileiras vigentes.
As principais normas de revestimento cerâmico e a ABNT
O setor de construção civil no Brasil é regido por diretrizes rigorosas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. As Normas Técnicas garantem que o material suporte as cargas e condições de uso previstas. Entre as principais, destacam-se a NBR 13.753 para pisos internos e externos, a NBR 13.754 para paredes internas e a NBR 13.755 para fachadas, todas focadas no uso de argamassa colante.
Além das normas de instalação, existem as que regulam a fabricação e o desempenho das peças, como a NBR 13.818 e a NBR 15.463. Outro pilar fundamental é a NBR 15.575, conhecida como Norma de Desempenho, que estabelece requisitos para edificações habitacionais. Compreender esses documentos é vital para o arquiteto que busca qualidade e longevidade em suas obras, evitando erros comuns de especificação.

1 – Argamassa colante e técnicas de assentamento
A argamassa colante deve ser escolhida conforme o local de aplicação e o cronograma da obra. É preciso observar se o uso é residencial, comercial leve, pesado ou industrial. Antes do ASSENTAMENTO, o contrapiso deve ter pelo menos 14 dias de cura e superfície áspera. Se houver desnível, a regularização pode ser feita com a própria argamassa, respeitando o limite de 1 cm de espessura executado em duas camadas de 0,5 cm.

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A técnica de dupla colagem é obrigatória pela NBR 13.753 quando as peças possuem área superior a 900 cm² ou garras no tardoz com profundidade acima de 1 mm. Nesse processo, a argamassa é aplicada no substrato e no verso da placa, garantindo uma camada única e contínua. O cuidado evita que as peças fiquem empenadas, respeitando o limite de 2 mm de desnivelamento máximo entre as placas já assentadas no ambiente.
2 – Coeficiente de atrito e segurança
O COEFICIENTE DE ATRITO é o índice que mede a resistência ao escorregamento de uma superfície. Segundo a NBR 13.818, revestimentos com COEFICIENTE maior ou igual a 0,4 são considerados antiderrapantes. Essa característica é essencial para garantir a segurança em áreas molhadas ou com aclive. Vale ressaltar que superfícies muito ásperas, embora seguras, podem dificultar a limpeza diária, exigindo um equilíbrio na escolha.
A tabela de INDICAÇÕES de uso divide os materiais em três níveis. Valores menores que 0,4 são para instalações normais; entre 0,4 e 0,7 são recomendados onde se requer resistência ao escorregamento; e acima de 0,7 são ideais para locais de risco intenso, como rampas externas. Marcas como a Ceusa Revestimentos Cerâmicos disponibilizam essas informações técnicas para facilitar o trabalho do especificador técnico.
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3 – Especificação para alto tráfego e teste de Amsler
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Ambientes como shoppings e aeroportos exigem materiais de ALTA resistência. Além do atrito, deve-se considerar a resistência à abrasão profunda. O teste de Amsler Local Nível, normatizado pela NBR 12.042, é a referência para medir o desgaste. Para alto tráfego, o desgaste tolerado é de apenas 0,7 mm, enquanto em residências (baixo tráfego) esse valor sobe para 3,0 mm, refletindo a durabilidade necessária.
Os porcelanatos técnicos são excelentes opções para essas áreas, apresentando absorção de água menor ou igual a 0,1%. Essa estrutura homogênea garante que o material suporte o fluxo intenso sem perder suas propriedades estéticas ou estruturais. A escolha correta evita a substituição precoce do piso, reduzindo custos de manutenção e garantindo a integridade do projeto arquitetônico ao longo dos anos de uso.
4 – Normas de revestimento cerâmico em piscinas
As bordas de piscinas seguem regras específicas para evitar acidentes. A NBR 9050 de acessibilidade determina que o piso no entorno não pode ser escorregadio nem excessivamente abrasivo. Já a NBR 9818 foca na execução, exigindo que degraus e áreas com profundidade inferior a 60 cm tenham revestimento antiderrapante. O acabamento de bordas e quinas deve ser sempre arredondado para evitar ferimentos nos usuários.
Para os lava-pés, a norma também solicita produtos antiderrapantes, sendo usual adotar o índice de atrito igual ou superior a 0,4. Em paredes de tanques profundos, não há restrição severa de atrito, desde que o material não cause desconforto. É fundamental que o revestimento seja lavável e resistente aos produtos químicos utilizados no tratamento da água, mantendo a higiene e a aparência do espaço de lazer.

5 – Classe de abrasão superficial (PEI)
O PEI (Porcelain Enamel Institute) INDICA a resistência ao desgaste do esmalte da cerâmica. A CLASSE DE ABRASÃO varia de 0 a 5. O PEI 0 tem resistência DESNECESSÁRIA para pisos, sendo de uso exclusivo em paredes. Já o PEI 1 possui BAIXA resistência, indicado para banheiros residenciais. O PEI 2 é de MÉDIA BAIXA resistência, enquanto o PEI 3 é de MÉDIA ALTA, cobrindo quase todas as dependências de uma casa.
Para áreas comerciais e públicas, utiliza-se o PEI 4 (ALTA) ou PEI 5 (ALTÍSSIMA resistência). A CLASSE correta é garantia de longevidade; uma escolha errada pode destruir a estética do piso em poucos meses. É importante entender que o PEI sozinho não garante tudo: o ASSENTAMENTO correto e a manutenção adequada são pilares que sustentam a vida útil do produto especificado no projeto de interiores.
6 – Juntas de assentamento e acabamento

As JUNTAS de dilatação e assentamento são fundamentais para absorver as movimentações estruturais e térmicas da edificação. A INDICAÇÕES DE JUNTAS variam conforme o tamanho da peça e o tipo de borda (bold ou retificada). Ignorar o espaçamento mínimo recomendado pelo fabricante pode causar o estufamento ou descolamento das placas, gerando prejuízos financeiros e riscos de acidentes na obra.
O DE ASSENTAMENTO Tamanho da junta deve seguir rigorosamente o que consta na embalagem do produto. O uso de niveladores auxilia na obtenção de uma superfície plana, mas não substitui a necessidade do espaçamento correto. Um bom projeto de paginação deve prever onde as juntas ficarão localizadas, garantindo que o visual final seja harmônico e tecnicamente seguro para os moradores ou usuários do espaço.
Conclusão sobre a aplicação das normas técnicas

Dominar as normas de revestimento cerâmico transforma a atuação do arquiteto, elevando o nível de entrega técnica. Ao aplicar corretamente os conceitos de PEI, coeficiente de atrito e técnicas de colagem, o profissional protege seu cliente de patologias e garante ambientes seguros. A conformidade com a ABNT não é apenas uma obrigação legal, mas um diferencial competitivo que assegura a qualidade final de qualquer edificação.



