
Entre memória e novos usos, a arquiteta Sabrina Salles encontrou no retrofit o caminho para atualizar uma casa de 600 m², no Pacaembu, em São Paulo. Sem alterar a estrutura original do imóvel, o projeto reorganiza os ambientes para acompanhar a rotina atual da família, trazendo mais integração, funcionalidade e conforto. Ao mesmo tempo, móveis, obras de arte e objetos afetivos foram preservados e ganharam novas composições, mantendo viva a história dos moradores em uma arquitetura renovada.
Na fachada, o pergolado metálico cria uma nova moldura para a arquitetura da casa. A serralheria ajuda a controlar a entrada de luz e produz diferentes desenhos de sombra ao longo do dia. “Os clientes já haviam realizado algumas ampliações, mas a fachada ainda não apresentava uma linguagem integrada. O retrofit veio para concluir esse processo e também resolver a garagem, que era aberta, com uma intervenção que trouxe proteção para os carros e valorizou a arquitetura da casa”, explica Sabrina.

Do lado de dentro, a arquiteta priorizou a integração entre a sala principal e a sala da lareira, mantendo a circulação livre e o olhar contínuo entre os espaços. Móveis, obras de arte e o piano que já pertenciam à família foram reorganizados em uma composição mais atual, sem perder a identidade dos moradores.
Mesmo integrados, os ambientes mantêm usos bem definidos. O tapete delimita a área das poltronas, enquanto o painel de madeira destaca o mármore branco da lareira.
A sala de jantar também foi pensada para acompanhar o hábito da família de receber. A mesa redonda favorece a circulação e aproxima os convidados, enquanto as cadeiras de encosto baixo preservam a continuidade visual. O couro caramelo envelhecido acrescenta acolhimento e dialoga com a marcenaria.

Próximo a esse ambiente, uma antiga sala íntima foi transformada em home bar. “Estudamos duas possibilidades: construir uma adega climatizada ou utilizar equipamentos prontos. Optamos pela segunda solução, com duas adegas, por ser mais simples de instalar e consumir menos energia”, conta a arquiteta. Um móvel sob medida reúne ainda a cristaleira e uma charuteira.
A ilha central é generosa, ideal para refeições rápidas ou para aquele bate-papo enquanto algo sai do forno. Já a mesa redonda está pronta para recepções maiores, com aquela sensação de proximidade que só esse formato proporciona.

A varanda gourmet e a churrasqueira dão continuidade aos espaços de convivência. A entrada de luz zenital e o pano de vidro acima do sofá ampliam a luminosidade, enquanto formas curvas, tons claros e elementos naturais tornam a composição mais leve. “Trocamos a mesa retangular que não dialogava com o espaço, por uma mesa redonda, que antes fazia parte da sala de jantar, criando mais fluidez e integração. Também criamos um espaço de estar, onde aproveitamos o mobiliário existente, em um novo posicionamento mais funcional e confortável.”

Na sala de TV, os tons mais quentes e a iluminação indireta criam uma atmosfera mais acolhedora. A disposição dos assentos garante boa visão da televisão e mantém a circulação livre, enquanto o lustre de cristal preservado acrescenta um contraponto clássico ao ambiente.
O resultado é uma casa que equilibra passado e presente sem perder sua identidade. Entre novos usos, materiais e soluções de integração, o projeto de Sabrina Salles valoriza tanto a arquitetura do imóvel quanto as memórias construídas ao longo dos anos, mostrando que renovar também pode significar preservar aquilo que faz uma casa verdadeiramente pertencer a quem vive nela.
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